A gaiola

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[Português]

O principio da infância

Este sou eu.

Desde pequeno que tentei conhecer o mundo. Muito do que queria que me fosse transmitido, era redundante ao meu progresso.

Separado da realidade pelo meu simples prazer, passei tempo sem noção do mundo real, e do seu complexo.

Bebi prazeres para o ego, corri e brinquei à diversão humana.

O meio da adolescência

Este sou eu.

Ambiente, experiência, família, amigos, e amor fizeram-me acordar para o mundo difícil de aceitar.

Mundo de apocalipses invisíveis, misturado de paraísos imperceptíveis.

Muitas ratoeiras ao intelecto, muitos autistas na rua.

Conheci o capitalismo, o materialismo, o consumismo, o existencialismo, o egoismo, o altruismo, e começou em mim um sismo de consciência.

Começei a retratar, o que passava a correr pela minha cabeça, e começei a acumular.

Colando, desenhando, pintando, escrevendo, tentei ilustrar o que corria na minha mente, ente querida.

O final da fase adulta

Este sou eu.

Agora e aqui dentro de mim, dentro desta gaiola me intima, encontro e encontram-se os meus medos.

Os meus planos, os dias dos meus diários, as minhas dependências humanas, antigas reflexões de meu ser.

O meu consumismo, o consumismo da minha consciência.

Acumulando coisas que não consigo abandonar, a gaiola tem vindo a crescer mais, em mim.

Parte de mim diz para pegar fogo a todas as memórias.

Parte de mim diz que esta estrutura, só existe porque eu permito à minha consciência, aceitá-la.

Parte de mim precisa de se afastar, aproveitando uma porta aberta, dar um fôlego à minha existência.

Desmaterializar-me dos meus pertences pessoais.

Sem medo de largar certos eus. Vícios, objectos e rotinas de prazer, perceber que existe uma infame liberdade.

Existem outras perspectivas para viver, para além do passado.

[English]

Early infancy

This is me.

Since i was little i tried to understand the world. A lot of what i wanted transmitted to me,  was redundant for my improvement.

Separated from reality for my own pleasure, i spent time without the notion of the real world, and it´s complex.

I drank the pleasure for the ego, i ran, and played the human fun.

The middle of adolescence

This is me.

Environment, experience, family, friends, and love made ​​me wake up to the world difficult to accept.

A world of invisible apocalypses, mixed with imperceptible havens.

A lot of mouse traps to the intelect, a lot of autistics in the street.

I knew capitalism, materialism, consumerism, existencialism, egoism, altruism, and a seism of conscience began in me.

I started to portray what was racing trough my head, and began to acumulate.

Pasting, drawing, painting, writing, trying to ilustrate what was racing to my mind, and soul.

Late adulthood

This is me.

Now and here inside of me, inside this cage, intimate to me, I find and it can be found, my fears.

My plans, the days of my diaries, my human dependancies, old reflexions of my being.

My consumerism, the consumerism of my conscience.

Acumulating things that i cannot abandone, this is cage is growing bigger, in me.

Part of me says to burn all memories.

Part of me says that this structure, only exists because i allow my conscience, to accept it.

Part of me needs to back away, and take advantage of an open door, giving a breath to my existence.

Dematerialize me of my personal belongings.

With no afraid to drop certain me’s. Vices, objects and routines of pleasure.  Realizing that there is an infamous freedom.

There are other perspectives to live, beyond the last.

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